Ele é o momento. O carioca Michel Alcoforado é dono de um currículo acadêmico extenso e invejável, mas tem sido centro dos holofotes por ser o autor de um dos atuais best-sellers do mercado editorial brasileiro: “Coisa de Rico – A Vida dos Endinheirados Brasileiros” (Editora Todavia). Lançado em agosto de 2025, o livro rapidamente se tornou um fenômeno, permanecendo entre os 10 mais vendidos da Lista Nielsen-PublishNews de Mais Vendidos de Não Ficção Trade até a semana passada. Agora, a convite do Alô Alô Bahia, o antropólogo e escritor finalmente chega a Salvador no próximo dia 6 de novembro para também lançar aqui esse que é um dos títulos mais procurados do país.
A obra é fruto de uma pesquisa de longa data do autor. Reconhecido como o “antropólogo do luxo”, Alcoforado passou 15 anos pesquisando o comportamento da elite brasileira, observando de perto como ela vive, consome e se comunica. Para ele, “os ricos brasileiros não constroem vínculos de solidariedade com a sociedade”, tendo seus ganhos mais referenciados à família, à herança.
Em “Coisa de rico”, Michel reflete sobre essa parcela da sociedade como reflexão sobre o próprio Brasil, onde o desejo de ascensão e o fascínio pelo luxo moldam comportamentos, valores, aspirações e a necessidade de ostentação de consumo. Através de uma escrita envolvente, resultado de olhar sensível de homem negro da Zona Norte do Rio de Janeiro, Alcoforado propõe uma reflexão sobre o que significa ser rico no Brasil contemporâneo: a performance e o domínio de códigos e pertencimento social que vão muito além da renda.
Mas ao passo em que o mercado de luxo enfrenta uma crise global por não ser mais exclusividade do topo dessa pirâmide, o luxo, segundo Michel, segue a tendência de ser algo dos_ low profiles_. Para ele, o rico que é rico de verdade, sente que não precisa se mostrar para a massa. A diferenciação dessa pessoa está na roupa simples, na vida discreta, que pode até assoprar simplicidade, mas que na verdade grita um sinal de dominação de classe, já que eles não precisam perder tempo com algo que os emergentes precisam para se autoafirmarem.
