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Empatia – “Olho por olho, e o mundo acabará cego”. – Por Lena Sena

Os dias passam outras notícias chegam impregnadas de ódio e preconceito o que não permite que deixemos de expressar nosso repudio a tantas barbáries que temos acompanhado via rede social, no dia a dia quando estamos em transportes coletivos, filas de mercados , consultórios e afins. Existe em mim um assombro quando paro para tentar analisar a espécie de ser humano( posso classificá-los assim?)que sente prazer em apontar as dificuldades do outro. Um bando governado por suas próprias hipocrisias, por seu total despreparo para exercer o amor, carentes de arruaças emocionais para esconder suas limitações, seus desejos às vezes não tão claros, esquecendo que no fundo da Caixa de Pandora existe um espelho e não têm coragem de usá-lo pois pode esta refletindo seu pior lado.

Ganha-se o que, quando humilhamos pessoas doentes dentro da sua dor, do seu labirinto de incertezas, da sua luta diária para vencer mais um dia?

Muito mais além dos Fábios, das crianças que morrem diariamente na lindeza dos seus 07 anos, existe o Autismo, a Depressão, a Ansiedade, a Síndrome do Panico, o Racismo a Homofobia e tantos outros entraves que precisam ser respeitados e acolhidos por pessoas que sob minha ótica são os verdadeiros guerreiros de uma batalha que não pediu licença para chegar.

Aproveito para chorar junto com milhares de mulheres suas dores diante de uma sociedade ainda com um viés machista, quando sem permissão usa da força física e da irracionalidade, nos espancam, nos cobram, nos humilham, numa tentativa espúria de nos reduzir a um simples objeto de prazer, prazer que as vezes nossos algozes sequer sabem nos oferecer.

Consultada sobre o assunto a psicologa Yasmine Schneiter esclarece vários pontos importantes nos levando a reflexão.

“Fora de um contexto, essa palavra (Empatia) não é mais que um mero aglomerado de fonemas. Mas quando a colocamos no contexto da morte de uma criança de sete anos, cujo único delito é ser o neto de um ex-presidente, podemos recordar mais do que a lição guardada no significado (que é o processo de identificação através do qual um individuo tenta compreender um outro, imaginando-se no lugar dele); é possível notar como nós enquanto sociedade estamos falhando neste quesito.
A maioria das pessoas que comemoraram em suas redes sociais a morte do pequeno Arthur não o fizeram por mera perversão, e sim pautadas nos mais diversos argumentos com o objetivo de legitimar o seu protesto – alguns basearam-se na explicação de que o governo anterior condenou à morte muitas crianças, outras tantas apelaram para uma insensata e dicotômica “justiça divina”, que sumariamente se ocuparia em exterminar os “maus” e poupar os bons.
Esse é o nosso retrato – lançamos mão de qualquer pretexto que sirva como lastro para a nossa própria intolerância – nem que para isso seja preciso negar a humanidade daquele que nos antagoniza. Não vemos o nosso oponente como um pai, amigo ou avô; o reduzimos a um rival que precisa ser aniquilado. Deixou de ser por justiça; tornou-se vingança. Façamos o quanto antes um exame de consciência, mesmo porque, como bem disse Mahatma Gandhi: “olho por olho, e o mundo acabará cego”.
Um outro fato que tem chamado a atenção é a reação popular ao estado do ator Fábio Assunção. Sendo ele uma figura pública, não lhe foi dado o beneficio de manter sua condição em segredo, o que costuma ser a decisão das famílias, inclusive em face da vergonha dessas pessoas decorrentes do estigma gerado pela dependência química.
Apesar de ser a dependência uma doença vastamente estudada e descrita pela psiquiatria, e sendo inclusive entendida pela OMS como um problema social, muitas pessoas se recusam a aceitar que a adição é uma doença, e atribuem a condição desses pacientes a uma mera falta de caráter. E se é falta de caráter, eles merecem o escárnio. Ocupamos o posto de paladinos da moral, e ao outro desejamos toda sorte de expiações.
A máscara de Fábio Assunção que se popularizou neste Carnaval não é senão a transformação da dor do outro em de zombaria. Nos valemos da vulnerabilidade alheia para reforçar a nossa ilusão de superioridade. E assim, protegida atrás da nossa própria soberba, reside a gárgula sombria da crueldade. A máscara de Fábio revela o nosso verdadeiro rosto.

Abrimos a caixa de Pandora, e em seu fundo havia apenas um espelho.”

 

Lena Sena é Jornalista e Diretora do site simplesmentelena

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