Setembro Amarelo e a importância da empatia

Dr Felipe Veras CRM-SP 203565

Resolvi abordar esse tema e convidar o Dr. Felipe Veras, médico psiquiatra pelo Instituto Albert Einstein, para falar com mais propriedade deste caos que assola o mundo.  Tema de extrema relevância não somente por se tratar de um mês especial à saúde mental, mas por perceber a importância, o olhar e cuidado que devemos ter à esta questão. O Setembro Amarelo, não é um acontecimento recente, mas devido ao cenário mundial e por decorrência maior da  pandemia, o assunto virou destaque dentro de um cenário onde cada vez mais os números aumentam de uma sociedade adoecida.

Desde o ano de 2015, o Brasil adotou o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e prevenção ao suicídio, e tem o dia 10 como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Apesar de parecer distante para muitas pessoas, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimam que 32 pessoas se suicidam por dia no Brasil, número mais alto do que os óbitos causados pela AIDS e o câncer, a efeito de comparação.

A grande maioria dos casos está relacionada a transtornos mentais – como a depressão, o transtorno bipolar, a ansiedade e abuso de substâncias – passíveis de cura e remissão quando tratados adequadamente por psicólogos e psiquiatras. 

Embora a discussão acerca tanto do suicídio quanto da saúde mental seja ampla, intensificada ainda mais durante a pandemia, o diálogo dentro do ambiente doméstico e nas rodas de amigos ainda encontra barreiras. Dentre os motivos encontrados, podemos citar o receio de falar sobre transtornos mentais e a ignorância, carregada de julgamentos, quanto ao que leva uma pessoa a tirar a própria vida. Diversos estudos já demonstraram que falar sobre suicídio aumenta a chance de identificá-lo precocemente e contribui com a redução no número de mortes.

Também é preciso cuidado ao dar conselhos: doença mental não é falta de Deus, tampouco sinônimo de desocupação, e muito menos ausência de algo. Transtornos mentais são decorrentes de desequilíbrios na produção de neurotransmissores e envolvem fatores genéticos e sociais em que a pessoa está inserida.

Portanto, devemos lembrar que o cuidado e o debate sobre a saúde mental devem ocorrer durante todo o ano, de forma acolhedora, afetiva, respeitosa e sem medo. A identificação precoce ajuda a melhorar os desfechos graves e reduz o tempo de sofrimento do paciente.  

Diz, Dr. Felipe Veras.

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