Apesar de protestos de moradores e ações na Justiça, município agenda a venda de um terreno que foi alvo de uma desapropriação polêmica.
O destino do imóvel localizado na Rua Barão de Itambi, número 50, no bairro de Botafogo, ganhou mais um capítulo decisivo e cercado de tensões. A Prefeitura do Rio de Janeiro publicou no Diário Oficial desta sexta-feira (6) o edital que marca para o dia 31 de março o leilão do cobiçado espaço. A novela começou em novembro de 2025, quando o município desapropriou o terreno utilizando o mecanismo de hasta pública, uma ferramenta voltada para dar um novo destino a propriedades consideradas subutilizadas. A manobra ocorreu após a Fundação Getulio Vargas (FGV), que já possui unidades em frente e nos fundos do endereço, manifestar o interesse de transformar a área em um moderno centro dedicado à tecnologia e inteligência artificial.
A batalha nos tribunais e o questionamento da lei
O grande obstáculo para os planos da prefeitura é que a desapropriação esbarrou em uma complexa teia judicial. O antigo proprietário do espaço, o Grupo Pão de Açúcar, acionou a Justiça para questionar a legalidade da medida, especialmente porque o prédio já estava em processo avançado de venda para a rede de supermercados Mundial, que planejava inaugurar uma filial no local.
Para colocar ainda mais lenha na fogueira, o vereador Pedro Duarte (PSD) também moveu uma ação popular contra o ato do executivo. A ironia da situação é que o parlamentar é justamente o autor da lei municipal que permite a desapropriação e o leilão de imóveis sem uso. Ele argumenta de forma categórica que o caso da Rua Barão de Itambi não se enquadra nas regras que ele mesmo ajudou a criar, uma vez que o espaço não está abandonado e abriga uma academia de ginástica em pleno funcionamento.
Insatisfação popular e um leilão condicionado
A polêmica também transbordou das salas de audiência direto para as ruas, gerando forte reação da vizinhança. No último sábado (28), os moradores de Botafogo se mobilizaram e realizaram um protesto para demonstrar a insatisfação com a intervenção municipal no bairro. Mesmo sob essa tempestade de críticas e com a disputa judicial correndo solta, a prefeitura decidiu bancar o andamento do processo administrativo.
O edital, no entanto, se calça juridicamente ao estabelecer que o leilão ocorrerá sob “condição suspensiva”. Na prática, isso significa que a venda — programada para acontecer às 16h no auditório do Centro Administrativo São Sebastião, a sede da prefeitura — só terá um efeito definitivo se a Justiça bater o martelo a favor da legalidade de todo o processo de desapropriação. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano
