Casa das Mulheres de Axé é retomada após decisão judicial em Cachoeira

 

Decisão do TJ-BA garante permanência do espaço cultural em Cachoeira; Magno Lavigne defende diálogo e afirma que a cultura afro-brasileira merece proteção e respeito à ancestralidade.

A Casa das Mulheres de Axé, em Cachoeira, foi retomada nesta terça-feira (18) após decisão judicial que suspendeu os efeitos do decreto municipal que determinava a desocupação do imóvel.

O espaço, utilizado pelo Ilê Axé Obá Lajá, é destinado a ações culturais, projetos comunitários e à preservação do Memorial aos Ancestrais do Recôncavo Baiano.

Na última sexta-feira (14), o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) suspendeu os efeitos do Decreto Municipal nº 39, de 8 de julho de 2026, e impediu o município de praticar atos materiais destinados à retomada da posse do imóvel até o julgamento definitivo do recurso ou do mandado de segurança de origem.

A decisão foi proferida pelo desembargador Cássio José Barbosa Miranda, da Quinta Câmara Cível, durante o julgamento de um agravo de instrumento apresentado pela associação.

Com a decisão, também foi suspenso o prazo de 30 dias estabelecido pelo município para a desocupação do imóvel, localizado na Rua Sete de Setembro, nº 30, no Centro de Cachoeira.

Ao analisar o caso, o desembargador considerou que havia elementos que demonstravam a probabilidade do direito alegado pela associação. Entre eles está um contrato de comodato firmado com o Município de Cachoeira em 12 de agosto de 2020, com prazo de vigência de 30 anos, previsto para terminar em 2050. O extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial do Município em dezembro de 2020.

Segundo a decisão, o decreto municipal teria se baseado na alegação de que o contrato não existia nos arquivos públicos. Para o desembargador, a apresentação do documento e de sua publicação oficial demonstrou que essa premissa era equivocada.

A decisão também aponta que a administração pública deveria ter instaurado processo administrativo antes de promover a extinção unilateral do contrato, garantindo à associação o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Outro ponto analisado pelo TJ-BA foi a alegação de que o imóvel estaria inativo. Documentos apresentados no processo apontam a realização de obras de reforma, com participação da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (CONDER), além de projetos culturais, oficinas e ações comunitárias entre 2024 e 2026.

O imóvel abriga ainda o Memorial aos Ancestrais do Recôncavo e a Casa das Mulheres de Axé, reconhecida como Ponto de Cultura.

Na avaliação do magistrado, uma eventual desocupação poderia interromper atividades sociais, educativas, culturais e de economia solidária, além de comprometer a preservação do acervo cultural sob responsabilidade da entidade.

A decisão é provisória e não representa o julgamento definitivo da disputa. A Prefeitura de Cachoeira e os demais agravados terão prazo de 15 dias para apresentar resposta ao recurso. Em seguida, o processo será encaminhado à Procuradoria de Justiça para manifestação.

Magno Lavigne comemora decisão e manifesta solidariedade às Mulheres de Axé

Uma das primeiras lideranças a se manifestar em solidariedade às Mulheres de Axé foi o advogado e candidato a deputado estadual Magno Lavigne (Rede Sustentabilidade).

Lavigne vem defendendo, junto a representantes da Prefeitura de Cachoeira e à prefeita do município, a abertura de diálogo para a construção de uma solução definitiva para a questão.

Em declaração após a decisão, Lavigne destacou a importância da preservação da cultura afro-brasileira e da ancestralidade.

“A cultura afro-brasileira merece proteção, não despejo. A ancestralidade merece respeito, não invisibilidade. As Mulheres de Axé representam um importante marco cultural”, afirmou.

Para Magno Lavigne, a decisão do TJ-BA representa uma conquista para as Mulheres de Axé, para a população de Cachoeira e para a defesa do patrimônio cultural e da ancestralidade do Recôncavo Baiano.

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Sobre Luzia Moraes 5.637 Artigos
Luzia Moraes é produtora cultural, ativista humanitária e escritora, formada em Comunicação Social. Já produziu festivais gastronômicos, exposições de fotografia e artes plásticas, eventos em quase todo o Brasil. No exterior participou de projetos importantes em Portugal, Estados Unidos, França, Suíça, Áustria, Alemanha, Espanha, Itália e Bélgica. Em 2012, foi considerada pelo Portal GI (globo.com) como uma das mulheres de destaque no cenário cultural baiano. Desfilou como “destaque” no carro alegórico da escola de samba “Portela” no Rio de Janeiro, em homenagem à Bahia (2012) e em 2014 na escola Mocidade Alegre, em São Paulo, no 4 carro alegórico. No socioambiental já participou de campanhas importantes como: "Vote Cataratas do Iguaçu", "Dia da Amazônia", “Abrace a Vida”, “Maraú Social”, “Outubro Rosa”, “Instituto Sangue é Vida”, “Natal Sem Fome”, "Vermelho Bahia", *Perspectivas em Movimento*, “Carnaval Sem Fome”, "Balaio Verde" e ”Pedophilia No World”. Foi *madrinhas* durante dois anos da Campanha *Mc Dia Feliz* pela unidade McDonald's de Villas do Atlântico. Entre as muitas homenagens, Luzia virou nome de pratos de drinks em renomados e premiados bares e restaurantes de Salvador,
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