Na Áustria, Viena celebra o Dia do Brasil com programação realizada pela ABRASA

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O APAGAMENTO DAS MULHERES NA HISTÓRIA DO BRASIL

Na Áustria, Viena celebra o Dia do Brasil com programação realizada pela ABRASA

Da Bahia a Leopoldina: antes do 7 de Setembro, a Independência já estava em movimento

A ABRASA – Casa do Brasil na Áustria, Ponto de Cultura e Memória Internacional Brasileiro na Áustria, reconhecido oficialmente pelo Ministério da Cultura do Brasil desde 2010, transforma o 2 de setembro em marco de memória Brasil–Áustria e abre, nos dias 3 e 4, uma nova etapa de sua agenda histórica e científica entre os dois países.
Viena / Salvador — setembro de 2026

A Independência do Brasil não começou nem terminou às margens do Ipiranga. Antes de setembro de 1822, a Bahia já vivia confrontos, mobilizações políticas e populares que colocavam em disputa a permanência do domínio português. Salvador, Cachoeira, Santo Amaro e diferentes localidades do Recôncavo tornaram-se territórios decisivos de resistência. A luta atravessaria 1822 e seria consolidada em 2 de julho de 1823, com a retirada definitiva das tropas portuguesas de Salvador.

O 2 de Julho preserva uma memória plural desse processo. Maria Quitéria, Maria Felipa, Joana Angélica e tantas outras presenças femininas, negras, indígenas e populares ajudam a revelar que a Independência foi muito maior do que um único gesto, um único personagem ou um único dia.

Foi no interior desse Brasil já em ebulição que, em 2 de setembro de 1822, Maria Leopoldina da Áustria, exercendo a regência na ausência de D. Pedro, presidiu a reunião extraordinária do Conselho de Estado que orientou a ruptura com Portugal. Cinco dias depois, o 7 de Setembro se tornaria o grande símbolo nacional da Independência.
“A Bahia mostra a Independência como luta. Leopoldina mostra que ela também foi decisão política. O 7 de Setembro transformou esse processo histórico em símbolo.”

LEOPOLDINA COMO PONTE ENTRE BRASIL E ÁUSTRIA
É nessa leitura ampliada da Independência que Maria Leopoldina ocupa um lugar de referência na trajetória da ABRASA – Casa do Brasil na Áustria. Austríaca, mulher e personagem política de um momento decisivo da formação brasileira, Leopoldina tornou-se uma das bases simbólicas e históricas do trabalho sediado em Viena.
Desde sua trajetória fundacional, a ABRASA adotou o 2 de setembro como marco de memória Brasil–Áustria e como referência para a celebração institucional do Dia do Brasil na Áustria, trazendo Leopoldina ao centro dessa relação e contribuindo para dar visibilidade ao protagonismo feminino na história da Independência.

DE VIENA, EM 2000, À CASA DA ÁUSTRIA MARIA LEOPOLDINA NA BAHIA

As bases desse projeto bilateral começaram a ser articuladas em Viena a partir de 2000, por meio de encontros, ações culturais e do Fórum Áustria–Brasil Movimento, criado no âmbito dessa construção institucional. Entre 2007 e 2008, essas articulações avançaram para a criação da Casa da Áustria Maria Leopoldina, em Salvador, dando ao Brasil uma extensão permanente do trabalho de aproximação já desenvolvido na capital austríaca.

Um dos precursores dessa etapa foi o historiador Dr. Ubiratan Castro de Araújo, então presidente da Fundação Cultural Palmares, que esteve em Viena em uma série de atividades vinculadas ao diálogo Brasil–Áustria. A partir daquele ciclo, a Casa passou a reunir, em diferentes momentos de sua trajetória, personalidades da cultura, da educação, da justiça e da memória brasileira que compreenderam a importância dessa ponte bilateral.
Entre os nomes que participaram dessa construção e de sua continuidade estão José Carlos Capinan (Capinam), poeta e letrista ligado ao Tropicalismo; Jorge Portugal, educador, poeta e compositor; Dra. Luislinda Valois, jurista e ex-ministra dos Direitos Humanos; Roberto Mendes, cantor, compositor e pesquisador da cultura do Recôncavo Baiano; Antônio Matéria, cantor, compositor e pesquisador; Dr. Marionelso de Carvalho; o ator Antônio Jorge Godi; Ilzimar Oliveira; Marte Planksteiner; Úrsula Montes; além de outros colaboradores que, em diferentes etapas, ajudaram a manter viva a Casa da Áustria Maria Leopoldina.
Mais do que uma estrutura formal, a Casa representa a continuidade brasileira de uma relação institucional iniciada em Viena. Ao reunir nomes de reconhecida atuação na cultura, na educação, na justiça, na memória e na sociedade civil, sua trajetória demonstra que essa construção bilateral não nasceu de uma ação isolada, mas de uma rede histórica de pessoas e instituições comprometidas com a aproximação entre Brasil e Áustria.

DO 2 DE SETEMBRO AOS DIAS 3 E 4: VIENA CONTINUA A HISTÓRIA

EVENTO 3 E 4 DE SETEMBRO DE 2026 — VIENA
Uma das etapas de uma série de ações desenvolvidas pela ABRASA e aprofundadas desde o ciclo do Bicentenário da Independência do Brasil, iniciado em 2022. A programação atual conecta memória, pesquisa e relações bilaterais, dando continuidade ao trabalho apresentado publicamente no 20 Plus, em 2025.

Em 2026, a celebração do 2 de setembro abre uma nova sequência de atividades. Nos dias 3 e 4, Viena recebe uma etapa histórico-científica da agenda construída pela ABRASA ao longo dos anos e aprofundada a partir do ciclo do Bicentenário da Independência do Brasil, iniciado em 2022.

A escolha das datas é estratégica: primeiro, recorda-se a presença austríaca em um dos momentos decisivos da formação do Brasil; nos dias seguintes, a reflexão se desloca para o outro sentido dessa relação e apresenta o trabalho que investiga a contribuição brasileira para capítulos importantes da história austríaca, especialmente o processo de reconstrução de sua soberania no século XX.

A iniciativa é idealizada e coordenada pela ABRASA, sob a liderança de sua presidente e fundadora, Queila Rosa, em conjunto com o historiador e antropólogo Dr. Uwe C. Plachetka, Diretor da ABRASA. Durante o encontro, Plachetka apresentará a metodologia histórico-científica desenvolvida para esse eixo, articulando pesquisa documental, memória, contexto histórico, antropologia e relações bilaterais.

A programação contará com a presença de convidados brasileiros, austríacos e internacionais, entre eles Michaele Maier, Werner Anzenberger, Christian Cwik, Heinz Gärtner, Norbert Hölzl, Maria Mesner, Wolfgang Maderthaner, Mônica Grin, Marcelo Cheche Galves, Romário Sampaio Basílio e Sergio Guerra Vilaboy.

Para a ABRASA, receber esses convidados significa abrir o seu próprio ecossistema institucional: compartilhar uma trajetória de mais de duas décadas e colocar em diálogo arquivos, experiências, pesquisa, memória e cooperação. A instituição agradece a presença e a disponibilidade de cada convidado em conhecer, compartilhar e dialogar com o trabalho desenvolvido.

A realização específica da atividade dos dias 3 e 4 de setembro conta com o patrocínio do KONAK.

20 PLUS: UM NOVO EIXO APRESENTADO PUBLICAMENTE EM 2025

A pesquisa apresentada agora não surgiu de forma isolada. Em novembro de 2025, durante uma série de atividades do jubileu institucional 20 Plus, que marcou mais de duas décadas de atuação, a ABRASA apresentou publicamente um novo eixo de investigação sobre a contribuição brasileira para a história da soberania austríaca.

Naquele mesmo ciclo, também ganhou nova visibilidade a extensão brasileira dessa trajetória: o Instituto Casa da Áustria Maria Leopoldina, em Salvador. Viena e Salvador passaram, assim, a reafirmar dois pontos institucionais de uma mesma ponte, ratificando uma relação construída por cultura, educação, memória, pesquisa e cooperação.
Desde então, esse eixo vem sendo aprofundado por meio de pesquisa documental, organização de acervo, diálogo com especialistas e identificação de personagens e redes históricas. A proposta é transformar esse percurso em legado, alimentando o livro e o documentário em desenvolvimento para o ciclo 2027–2030, além de exposições, atividades acadêmicas e novos desdobramentos no Brasil e na Áustria.

PESQUISA EM ARQUIVO: DO DOCUMENTO À MEMÓRIA PÚBLICA

O trabalho documental reúne registros históricos, fontes de arquivo, memória institucional e diferentes pistas de pesquisa que sustentam a metodologia apresentada no encontro e os futuros produtos editoriais da ABRASA.
UMA TRAJETÓRIA RECONHECIDA DOS DOIS LADOS
Ao longo de mais de duas décadas, essa trajetória foi acompanhada por representantes da vida pública, cultural, social, acadêmica e diplomática de Viena e do Brasil. Presenças, convites, parcerias, registros e interlocuções integram hoje o acervo documental da ABRASA e evidenciam a continuidade, a autoria institucional e a memória acumulada de um trabalho bilateral construído ao longo do tempo.

A ABRASA registra sua gratidão a personalidades, autoridades, parceiros e amigos que, em diferentes momentos dessa caminhada, acompanharam e fortaleceram suas iniciativas. Entre eles estão Ernst Woller, Peko Baxant, Sibylle Straubinger, Petra Bayr, Alejandro Peña, Sandra Frauenberger, Nicole Berger-Krotsch e Prof. Dr. Habiboullah Ndongo Bakhoum, além de tantos outros que integram essa memória coletiva.

A ABRASA registra também sua gratidão à Villa Fuchs e à família Fuchs pela relação de confiança e cooperação construída ao longo dos anos. Em diferentes momentos dessa trajetória, a Villa acolheu iniciativas da instituição e abriu suas instalações para encontros que também receberam representantes do governo brasileiro, contribuindo para aproximar interlocutores, cultura e memória entre Brasil e Áustria. A instituição recorda ainda, com especial reconhecimento, o saudoso Ernst Fuchs, cuja abertura e apoio permanecem registrados na história dessa construção bilateral.

No âmbito da representação brasileira, a ABRASA registra um agradecimento especial ao atual Embaixador do Brasil na Áustria, Eduardo Paes Saboia. Em mensagem pública, ao reconhecer na trajetória de sua presidente e fundadora, Queila Rosa, o “trabalho pioneiro em benefício das relações entre o Brasil e a Áustria”, o Embaixador destacou especialmente os projetos desenvolvidos nos campos da educação e da cultura e sua referência junto à comunidade brasileira. Para a instituição, essas palavras dialogam com uma história coletiva construída nesses mesmos campos de atuação bilateral.

 

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Sobre Luzia Moraes 5.850 Artigos
Luzia Moraes é produtora cultural, ativista humanitária e escritora, formada em Comunicação Social. Já produziu festivais gastronômicos, exposições de fotografia e artes plásticas, eventos em quase todo o Brasil. No exterior participou de projetos importantes em Portugal, Estados Unidos, França, Suíça, Áustria, Alemanha, Espanha, Itália e Bélgica. Em 2012, foi considerada pelo Portal GI (globo.com) como uma das mulheres de destaque no cenário cultural baiano. Desfilou como “destaque” no carro alegórico da escola de samba “Portela” no Rio de Janeiro, em homenagem à Bahia (2012) e em 2014 na escola Mocidade Alegre, em São Paulo, no 4 carro alegórico. No socioambiental já participou de campanhas importantes como: "Vote Cataratas do Iguaçu", "Dia da Amazônia", “Abrace a Vida”, “Maraú Social”, “Outubro Rosa”, “Instituto Sangue é Vida”, “Natal Sem Fome”, "Vermelho Bahia", *Perspectivas em Movimento*, “Carnaval Sem Fome”, "Balaio Verde" e ”Pedophilia No World”. Foi *madrinhas* durante dois anos da Campanha *Mc Dia Feliz* pela unidade McDonald's de Villas do Atlântico. Entre as muitas homenagens, Luzia virou nome de pratos de drinks em renomados e premiados bares e restaurantes de Salvador,
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