PETRÓLEO NO RIO| Estado corre contra o tempo para transformar royalties em desenvolvimento

 

O Rio de Janeiro vive uma corrida contra o tempo para aproveitar a atual abundância de petróleo e transformar os recursos gerados pelo setor em desenvolvimento econômico duradouro. A preocupação aumenta diante das projeções de que a produção brasileira atingirá o pico na próxima década e, depois, começará a recuar.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que a produção nacional passe de 4,4 milhões de barris por dia em 2026 para cerca de 5,1 milhões em 2031, permanecendo próxima desse patamar até 2033. A partir daí, a projeção aponta queda gradual, chegando a 4,9 milhões de barris diários em 2035.

O cenário é especialmente importante para o Rio, que concentra aproximadamente 86% da produção brasileira de petróleo e gás. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o estado produziu cerca de 3,8 milhões de barris de petróleo por dia em junho, mantendo uma posição de liderança nacional. O litoral fluminense também concentra uma parcela expressiva das reservas do pré-sal.

Royalties sustentam parte importante das receitas

A força da indústria petrolífera também aparece nos cofres públicos. No primeiro semestre de 2026, o estado e os municípios fluminenses receberam mais de R$ 21,5 bilhões em royalties, recursos fundamentais para investimentos e manutenção de serviços públicos.

O problema é que essa receita não é permanente.A lém da produção, a arrecadação depende do preço internacional do petróleo e do câmbio. Uma eventual redução da produção ou queda nas cotações pode diminuir rapidamente os valores recebidos pelos governos.

O desafio fiscal do estado torna o cenário ainda mais delicado. A previsão é de um rombo de R$ 19 bilhões nas contas do Rio em 2026, aumentando a pressão para encontrar novas fontes de receita e reduzir a dependência do petróleo.

Transição energética é apontada como caminho

Para especialistas e autoridades, os próximos anos devem ser utilizados para diversificar a economia. A própria estrutura construída pela indústria de óleo e gás, como portos, empresas especializadas, centros de pesquisa e mão de obra qualificada pode ajudar o Rio a avançar em setores como energia eólica offshore, hidrogênio de baixo carbono, biocombustíveis e tecnologias de captura de carbono.

O secretário estadual de Fazenda, Guilherme Mercês, classificou os próximos anos como uma janela decisiva para o estado.

“Os próximos 10 anos são talvez a última janela de oportunidade para o Rio de Janeiro no que diz respeito à transição energética.”

A questão, portanto, não é apenas quanto petróleo ainda poderá ser produzido, mas o que o Rio fará com a riqueza gerada durante o período de maior produção.A expectativa é que parte desses recursos seja transformada em infraestrutura, tecnologia, educação e novas atividades econômicas capazes de gerar emprego e arrecadação quando o ciclo do petróleo começar a perder força.

O petróleo ainda terá papel central na economia fluminense por muitos anos, mas a janela para preparar o estado para o período pós-pico já está aberta e não deve permanecer assim para sempre. Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

0 0 votos
Avaliação do artigo
Sobre Luzia Moraes 5.603 Artigos
Luzia Moraes é produtora cultural, ativista humanitária e escritora, formada em Comunicação Social. Já produziu festivais gastronômicos, exposições de fotografia e artes plásticas, eventos em quase todo o Brasil. No exterior participou de projetos importantes em Portugal, Estados Unidos, França, Suíça, Áustria, Alemanha, Espanha, Itália e Bélgica. Em 2012, foi considerada pelo Portal GI (globo.com) como uma das mulheres de destaque no cenário cultural baiano. Desfilou como “destaque” no carro alegórico da escola de samba “Portela” no Rio de Janeiro, em homenagem à Bahia (2012) e em 2014 na escola Mocidade Alegre, em São Paulo, no 4 carro alegórico. No socioambiental já participou de campanhas importantes como: "Vote Cataratas do Iguaçu", "Dia da Amazônia", “Abrace a Vida”, “Maraú Social”, “Outubro Rosa”, “Instituto Sangue é Vida”, “Natal Sem Fome”, "Vermelho Bahia", *Perspectivas em Movimento*, “Carnaval Sem Fome”, "Balaio Verde" e ”Pedophilia No World”. Foi *madrinhas* durante dois anos da Campanha *Mc Dia Feliz* pela unidade McDonald's de Villas do Atlântico. Entre as muitas homenagens, Luzia virou nome de pratos de drinks em renomados e premiados bares e restaurantes de Salvador,
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado